Edição Julho de 2007

      

                                   

 

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NEGÓCIOS QUE SURGEM 

EM SALAS DE AULA 

 

Profissionais que exercem trabalho voluntário ganham pontos extras na hora de pleitear vaga 

em algumas empresas, sobretudo multinacionais. Para selecionadores, porém, atributo 

não deve ser enfatizado nos currículos

 

Quem planta, colhe. A máxima é utilizada para dizer que toda ação gera uma conseqüência. Para quem realiza um curso de pós-graduação ou MBA, porém, a colheita pode ser muito mais proveitosa do que o imaginado. É que, com a alta qualidade dos cursos oferecidos pelas escolas de negócios no Brasil, raros são os executivos que não têm ao menos uma história de sucesso para contar durante ou depois de uma pós-graduação. Também não são poucos os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) que se transformaram em excelentes oportunidades de negócios.

Talvez o exemplo mais emblemático de negócio que surgiu na sala de aula seja o do Google - criado em 1995 a partir de um trabalho de dois estudantes de doutorado de Ciência da Computação, da Universidade de Stanford (EUA): o russo Sergey Brin, 23 anos, e o norte-americano Larry Page, de 24. O sistema que deu origem à ferramenta de pesquisa ganhou alguns aperfeiçoamentos, mas só se transformou numa empresa em 1998. Quando isso aconteceu, a equipe da empresa saiu da universidade e foi para a casa de uma amiga dos fundadores do Google. À medida que a empresa crescia, uma série de pessoas se juntava a ela, entre elas o CEO Eric. E. Schmidt, que trabalhou na Novell e Sun Microsystems; Wayne Rosing, que trabalhou em importantes empresas de tecnologia, como a Sun Microsystems e a Apple, além de Urs Hölzle, professor da Universidade da Califórnia, que trabalhou no desenvolvimento de compiladores para Smalltalk e Java. 
A tendência ao empreendedorismo também contribui para que alguns trabalhos realizados sob a orientação dos professores saíssem do papel. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), instituto que mede as taxas de empreendedorismo mundial, o percentual das empresas brasileiras que se mantêm estabelecidas no mercado tem crescido regularmente: passou de 7,6%, em 2003, para 12,09%, no ano passado - o que representa um total de 14,2 milhões de empreendimentos. Dados que, sem dúvida, revelam um cenário propício para a criação de negócios próprios.

Criatividade nos estudos
Não é por acaso, portanto, que as faculdades têm dado tanta importância ao tema. A Faap, por exemplo, possui o Programa de Formação de Empreendedores, cujo objetivo é estimular o espírito empreendedor do estudante de graduação através da aplicação de conceitos modernos de gestão e criatividade. Já no curso de pós-graduação em Administração de Empresas, a disciplina sobre Criatividade e Inovação pretende, em conjunto com as demais, gerir a competência e o capital intelectual das empresas e transformar o conhecimento em novos negócios e oportunidades para as organizações. 

Mas foi durante a realização do MBA Executivo que o então gerente de negócios para América Latina da Emeres, Sergio Luis Zegaib, conseguiu desenvolver um produto exclusivo para a empresa: um projeto de CRM (Customer Relationship Management, ou Gerenciamento de Relacionamento com o Cliente) para clientes do B2B. 

O termo CRM foi criado para definir toda uma classe de ferramentas que automatizam as funções de contato com o cliente, que não apenas compreendem sistemas informatizados, como também incluem estratégia de negócios e mudança de atitude corporativa.

De acordo com Zegaib, para a realização do seu TCC, foi preciso estudar todo o funcionamento do processo de CRM da empresa e da concorrência, além das características dos clientes. "Não foi um trabalho simples. Na época, o tema ainda era uma novidade e, para piorar, a empresa vinha passando por uma sucessão de aquisições. Por isso, não havia um banco de dados estruturado. Sem contar a literatura escassa sobre o tema", informa.
Segundo ele, o MBA fez com que ele passasse a observar fenômenos corriqueiros de seu trabalho de maneira aprofundada e acadêmica. "Assim, ao invés de entrar diretamente no CRM, que era o tema da minha tese, passei a estudar o Marketing de Serviços, sua história e avanço ao longo do tempo. Isso ajudou a consolidar minhas idéias, embasar meu projeto e torná-lo apto de ser implementado pela empresa", completa.

Autoconhecimento 
Na Fundação Dom Cabral (FDC) não é preciso fazer pós-graduação ou MBA para desenvolver bons projetos. Os Programas Abertos, com modalidades Nacional e Internacional, servem de aperfeiçoamento para executivos, e também visam a sua aplicabilidade pelas empresas. De acordo com a coordenadora dos programas, Silene Magalhães, uma das premissas do curso é que os alunos, quando matriculados, tenham total apoio da companhia onde trabalham. "A idéia é que o executivo tenha ao seu lado a figura do sponsor - um responsável, geralmente em nível gerencial, que irá acompanhar o desenvolvimento do projeto, tendo em vista a realidade empresarial", revela. "Normalmente, os projetos incluem análises nas áreas Macroambiente, Gestão de Pessoas, Finanças, Marketing e Liderança. Todos esses conteúdos, hoje, são muito requisitados pelas empresas. Por isso, o índice de implementação dos trabalhos ultrapassa os 60%."
De acordo com o coordenador do núcleo de Empreendedorismo da FDC, Afonso Cozzi, é freqüente os alunos chegarem ao curso com a idéia de desenvolver um projeto na própria área de conhecimento. "Ao tomarem contato com outras áreas, como Logística, Marketing, Finanças, e adquirirem noções de análise de mercado, de viabilidade econômico-financeira, análise de risco do negócio e visão estratégica do setor, muitos estudantes decidem mudar de área ou arriscar um novo empreendimento", afirma. 

Mudar de ares. Esse foi o destino selado por Ronaldo Barreto, diretor executivo da Comunip, uma empresa desenvolvedora de software para a área de Voip. "Entrei no curso da FDC como gerente comercial de uma empresa, mas, durante as aulas, fui descobrindo que minha vontade mesmo era empreender. A Comunip, então, tinha acabado de receber investimentos de um fundo de capital de risco, e estava procurando algum executivo do mercado para tocar a empresa. Daí eu entrar na empresa como sócio foi um pulo", recorda Barreto. "Mas só tomei essa decisão porque o curso me deu segurança para arriscar."

A vontade de jogar um emprego estável para o alto e partir para um novo caminho só foi possível porque uma das disciplinas do curso de MBA da FDC possibilitou o desenvolvimento do autoconhecimento do executivo. "Foi ali que eu percebi o rumo que eu queria dar para a minha carreira", confessa Barreto.

 

Apoio aos melhores
A importância do TCC para a Strong-FGV é coisa antiga. Desde 2003, a faculdade publica o livro "Os mais relevantes projetos de conclusão de cursos MBA" como forma de incentivar a qualidade dos trabalhos de seus executivos. A cada ano, cerca de 12 trabalhos, dos 300 realizados no período, são selecionados para a publicação. "No ano passado, conseguimos fazer com que o livro fosse considerado publicação científica. Isso conta pontos para o currículo lattes dos alunos cujos projetos fazem parte da obra", informa a diretora acadêmica da instituição, Maria Madalena Fonseca. "Nada mais justo: o MBA é um desafio, um projeto de vida que faz com que o executivo abra mão de momentos de convivência com a família para se dedicar aos estudos. Precisa haver uma compensação."
Mirella Ugolini, executiva e uma das alunas do MBA Executivo da Strong, que o diga.

Não bastasse tamanha dedicação para realizar o curso, ela também optou por um tema que, até hoje, é pouco debatido nas empresas: Retorno de Investimento (ROI) em Treinamento. "Esse tema começou a surgir em 2000, logo depois do boom da implementação da gestão por competências, na década de 1990. Passados mais de dez anos, no entanto, as empresas ainda não avançaram nesta discussão que, entre outras coisas, exige foco no resultado e não das competências", ela explica. "Para o nosso trabalho, fizemos o estudo inicial de implementação do ROI em uma empresa real, com mapeamento dos cargos, mas não fizemos a medição do retorno, pois nos faltou tempo para implementar a metodologia. Conclusão: nosso trabalho ficou a anos-luz da realidade empresarial brasileira. Espera-se que o tema seja de fato levado a sério apenas daqui a cinco ou dez anos."

Dificuldades de implementação para uns e mil oportunidades de gerar negócios para outros. A mesma visão de futuro que estimulou Mirella a optar por um tema tão pouco discutido para o seu TCC, levou os executivos Vlademir Bin e Amarildo Gasparin a criar, num projeto do MBA Executivo em Gestão Empresarial da Strong, o Limpezanet. Inspirado pela distribuidora de material de limpeza e descartáveis que seu pai e seu irmão mantinham, Vlademir começou a desenvolver a idéia de um negócio próprio que bebesse na fonte do comércio via Internet, em franca expansão em todo o mundo. Amarildo tinha um projeto semelhante, para a área de plásticos industriais. Ambos desenvolveram, então, um site que intermediava a compra e venda de produtos de limpeza sem a necessidade de estoque - o que lhes permitiu atender a todo o país em apenas 24 horas. Ao fim do curso, o Limpezanet já era uma empresa em pleno funcionamento. Hoje, eles já têm mais de 2 mil clientes cadastrados - 55% dos quais efetuam compras todos os meses.
Esses exemplos mostram, portanto, que cursos de aperfeiçoamento e especialização, sejam eles de pós-graduação ou MBA, podem ajudá-lo a adquirir conhecimento, ampliar a sua rede de contatos, descobrir novos mercados e, sobretudo, dar-lhe a confiança necessária para trilhar outros caminhos. Para quem não tem medo de arriscar, o céu é o limite.

 

Dicas básicas
O segredo do sucesso, às vezes, pode ser um bom plano estratégico de negócios. Veja algumas dicas que os entrevistados deram a respeito:
Antes de elaborar o plano, levante informações relevantes e que dêem suporte à sua estratégia.
Defina objetivos que estejam de acordo com o cenário estabelecido na análise ambiental.
Defina uma estratégia que leve em consideração as informações coletadas e que respeite a condição da empresa. 
Necessidades geram oportunidades, e não o contrário. Se a intenção é criar novos produtos, faça o planejamento antes, procurando mercados não atendidos. Não tente inventar uma solução e sair procurando um problema para ela. 
Seja flexível. O mercado, as necessidades e o cenário econômico mudam. Avalie os resultados periodicamente para saber se o seu plano está adequado à realidade.
Passar o planejamento para o papel pode revelar detalhes que passariam despercebidos.
Tenha disciplina na aplicação do plano e tranqüilidade para trabalhar com o seu planejamento. 
Mantenha-se atualizado: um empreendedor que pretende ter uma empresa de sucesso precisa saber o que acontece no mercado. 
Quando conseguir bons serviços, não saia gastando tudo indistintamente. Se planeje para ter uma boa poupança quando a demanda cair.
Ter uma rede de contatos ampla e confiável é fundamental para qualquer profissional. No caso de autônomos, essa necessidade é multiplicada muitas vezes. Mantenha contato constante com todos os seus amigos, clientes, ex-clientes, professores, chefes. Se você mostrar empenho e um bom serviço, eles vão lembrar de você quando surgir uma oportunidade.
Se você prestou serviço para uma empresa uma vez, procure deixar uma boa impressão logo de cara. Muitas empresas mantêm uma lista de profissionais especializados que são convocados para serviços específicos periodicamente.
E, sobretudo, não tenha medo de arriscar. 

 

 

       

 

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